GT Antropologia do esporte

Antropologia do esporte está coordinado por Luiz Fernando Rojo – Universidade Federal Fluminense – Brasil

Integrantes

  1. Luiz Fernando Rojo – Universidade Federal Fluminense – Brasil (coordenador)
  2. Wagner Xavier de Camargo – Universidade Estadual de Campinas – Brasil
  3. Verônica Moreira – Universidad de Buenos Aires – Argentina
  4. Leonardo Turchi Pacheco – Universidade Federal de Alfenas – Brasil
  5. Onésimo Rodríguez Aguilar – Universidad de Costa Rica – Costa Rica
  6. Mariane da Silva Pisani – Universidade Federal do Piauí – Brasil
  7. Roger Magazine – Universidad Iberoamericana – México
  8. Carmen Sílvia Moraes Rial – Universidade Federal de Santa Catarina – Brasil
  9. Lía Ferrero – Universidad Nacional de La Plata – Argentina
  10. Ricardo Duarte Bajaña – Universidad Pedagógica Nacional – Colómbia
  11. Mônica da Silva Araújo – Universidade Federal do Piauí – Brasil

Apresentação

Há uma infinidade de perspectivas a partir das quais analisar as práticas esportivas e, de forma ainda mais ampla, o que Pierre Bourdieu denominou de “campo esportivo”. Cada uma destas perspectivas estabelece importantes diálogos com outros campos da própria Antropologia e com diferentes outras áreas de conhecimento.

Para muitas pessoas o esporte é profissão, uma das menos regulamentadas profissões no mercado de trabalho. Para além de uma pequena elite de esportistas profissionais que ganham altos salários e gozam de imensa popularidade, há uma imensa quantidade de atletas que sobrevivem com bolsas ou pequenos patrocínios, com poucos ou nenhum direito trabalhista. Isso é uma realidade ainda mais impactante no caso das mulheres que estão permanentemente ameaçadas de perderem sua renda em caso de gravidez, uma vez que raramente seus trabalhos comportam a licença maternidade, como analisa Raquel Simas. Além disso, se esta já é a realidade em relação às e aos atletas, ela é ainda mais contundente quando passamos a analisar a situação das arbitragens, auxiliares e pessoas que cuidam de toda a estrutura necessária para a prática esportiva profissional.

Para um número ainda maior de pessoas, o esporte é paixão, é emoção. Milhões de pessoas em toda a América Latina seguem seus times e, em vários casos, se organizam de forma específica para isso. Estes grupos geram diferentes formas de sociabilidade entre si, conflitos mais ou menos violentos a partir de suas rivalidades, estruturas políticas e mesmo econômicas que organizam viagens, vendas de materiais ou de apoios políticos diversos.

O esporte não escapa às análises geopolíticas. Toda vez que observamos a forma que assumem os grandes eventos esportivos e a luta entre países para organizá-los, consequência das imensas inversões que eles significam e que, em sua maioria, não são imediatamente capitalizadas pelos mesmos governos que disputaram sua organização. A luta por jogadores de elite, a compra e venda de clubes, as inversões privadas em associações civis, sem fins de lucro, os interesses que pretendem transformar essas associações em sociedades anônimas. Todos estes movimentos nos falam de tensões que se explicam desde o fenómenos esportivo, mas que também inserem esse fenómeno em outras relações e lógicas que nos remetem como parte de um sistema político e econômico em termos macro, desde uma disciplina que, por sua vez, privilegia o micro.

Mas o esporte não é praticado apenas de forma profissional. Ele pode ter uma dimensão de lazer, que coloca em questão o próprio direito ao tempo livre das pessoas que, como Loïc Boltanski aborda, é extremamente diferenciado em termos de classe social. A partir desta dimensão, surgem questões relativas às políticas públicas nas áreas do esporte e do lazer, implicando um entre muitos aspectos que envolvem as relações entre as práticas esportivas e o Estado. Indo além da dimensão de classe, já indicada, o acesso às práticas esportivas também se apresenta de forma diferenciada a partir de considerações étnicas, de gênero, etárias, capacitistas e relativas às pessoas LGBTQIA+ que, de diferentes formas, também utilizam o esporte como ferramenta de organização e de afirmação de suas identidades sociais.

Por tudo isso, é impossível dissociar esporte e política. Na visibilidade que a organização de eventos esportivos oferece para as diversas esferas governamentais (nacionais, regionais e locais); nas formas de controle e organização das federações e confederações esportivas nacionais e internacionais; na definição de verbas e na criação ou extinção de estruturas como ministérios, secretarias ou outras que gerenciam o esporte; enfim, em múltiplas dimensões, a relação entre esporte e poder se coloca como um tema central de investigação. A partir das interpretações de Simoni Guedes, é importante ressaltar que esta relação tanto pode se dar na forma de “sequestros” da pauta esportiva por parte de grupos de extrema-direita, como de “resgastes” desta pauta por parte da sociedade, em suas diversas manifestações, rompendo assim com uma visão unilateral que classificaria o esporte como um novo “ópio do povo”.

Estas são algumas das temáticas e questões que o grupo de pessoas, relacionadas abaixo, tem pesquisado nos últimos vinte e cinco anos nos quais a Antropologia dos Esportes tem crescido e se estruturado em diversos países da América Latina. Este fortalecimento nos levou a ter papel determinante na criação da Comissão de Antropologia dos Esportes da International Union of Anthropological and Ethnological Sciences (IUAES) e temos a convicção de que a criação deste Grupo de Trabalho de Antropologia dos Esportes junto à Associação Latino-americana de Antropologia (ALA) será mais um passo na consolidação desta área de pesquisa.

Objetivos do Grupo de Trabalho

  1. Consolidar os diálogos entre as antropologias dos esportes latino-americanas e caribenhas, ampliando o conhecimento da produção da região, com o objetivo de aprofundar os debates desde uma perspectiva ancorada no sul global.
  2. Contribuir para o fortalecimento da integração entre pesquisadoras e pesquisadores que trabalham com temáticas vinculadas ao esporte no campo da Antropologia, consolidando esta rede em um Grupo de Trabalho institucionalizado.
  3. Favorecer o desenvolvimento de pesquisas comparativas entre pesquisadoras e pesquisadores de diferentes países, aprofundando o conhecimento sobre as práticas esportivas na América Latina.
  4. Fortalecer diálogos e intercâmbios que nos permitam enriquecer os laços com outros espaços coletivos que analisam os esportes, como a Comissão de Antropologia dos Esportes da IUAES e o GT “Deporte, Cultura y Sociedad”, da CLACSO.
  5. Estimular a circulação da produção acadêmica sobre as práticas esportivas na América Latina nos seus diferentes níveis. Neste ponto, em particular, o Grupo de Trabalho pretende contribuir para ampliar a participação de colegas latino-americanos em bancas de avaliação/defesa de graduação, mestrado e doutorado, bem como estimular a construção de convênios específicos que possibilitem a maior circulação de estudantes e docentes entre nossas Universidades.